Da pilha de madeira que sobra na linha de produção ao espaço vazio dentro do caminhão que realiza a entrega dos produtos, o desperdício é um desafio que os profissionais da pesquisa operacional trabalham diariamente para enfrentar, afinal, a otimização pode ir além do lucro. Ao eliminar excessos e ineficiências, ela se torna uma aliada natural da sustentabilidade.

Um exemplo claro ocorre na indústria de móveis planejados, em que o corte de grandes chapas resulta em sobras. Pesquisadores do Projeto Temático identificam nesse material não utilizado um erro de cálculo que pode ser corrigido, evitando seu descarte. Com modelos matemáticos avançados, o grupo prova que é possível otimizar o uso da matéria-prima, transformando o que seria desperdício em economia para a empresa e reduzindo, por consequência, o volume de resíduos.

Sustentabilidade e Logística: A mesma equação

A economia já começa na fonte: se os algoritmos permitem um melhor aproveitamento da chapa na hora do corte, a indústria reduz sua demanda por matéria-prima, aliviando, por consequência, a pressão sobre os recursos naturais. Mas a matemática sustentável não para por aí, estendendo-se até o departamento de logística. Aqui, o foco deixa de ser apenas o material e passa a ser a redução do tempo de viagem e do consumo de combustível. Ao resolver problemas de empacotamento e roteamento, a matemática minimiza o número de viagens e, inevitavelmente, a pegada de carbono da empresa.

Nessa etapa, o desafio logístico é evitar que o caminhão saia com espaços vazios, gerando viagens desnecessárias. Segundo o professor Horacio Yanasse, embora pareçam tarefas distintas, corte e empacotamento são matematicamente equivalentes, já que ambos exigem encaixes perfeitos em múltiplas dimensões.

“Cortar um bloco de espuma para produzir travesseiros, por exemplo, obedece exatamente à mesma lógica matemática de acomodar caixas em um contêiner: gerenciar volumes para evitar sobras.”

— Professor Horacio Yanasse

O GPS da Indústria

Uma vez carregado o caminhão, é hora de planejar as melhores rotas para uma entrega eficiente, rápida e econômica. Para explicar essa etapa, a professora Socorro Rangel traça um paralelo com o GPS que usamos no dia a dia. Assim como o aplicativo transforma o mapa da cidade em equações para decidir o trajeto, os modelos matemáticos dependem do chamado “critério de otimização”. A diferença está na escolha: enquanto o GPS permite que você opte pelo caminho mais rápido, na indústria o critério de otimização é configurado matematicamente através de uma “função objetivo” para, por exemplo, encontrar o menor valor possível, equilibrando variáveis como tempo de entrega, distância percorrida e consumo de combustível.

O Dilema da Integração

Assim como em qualquer aspecto da pesquisa operacional, é importante atentar-se à integração dos problemas. Muitas vezes, para maximizar a capacidade de corte, algumas sobras podem ser sacrificadas. O professor Horacio destaca esse dilema entre produtividade e desperdício: o que vale mais para a empresa, perder uma porcentagem do material ou precisar parar as máquinas para que um novo padrão de corte seja instaurado?

Batalha de Dados

Fica claro, portanto, que o combate ao desperdício é uma batalha de dados. Do aproveitamento da matéria-prima à redução das emissões no transporte, os pesquisadores do Projeto Temático mostram que a eficiência industrial e a preservação ambiental não são caminhos opostos, mas variáveis da mesma equação.

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